Rótulos foram feitos para produtos, não para pessoas

Fulana é mãe solteira, está desempregada e são os pais dela que sustentam ela e o bebê. Já Ciclana, nem se divorciou direito e está namorando. Porém, pior ainda é a Bertana, que veste 42 e nem pensa em fazer regime. Quem nunca ouviu, ou pior, disse coisas parecidas com essas que foram citadas acima? Rótulos existem e jamais deixarão de existir. Por mais que derrubemos alguns, outros virão. Mas, se formos viver em torno deles, nos transformaríamos em uma versão humana daqueles hamsters criados em gaiolas, que passam o dia correndo incansavelmente naquelas rodinhas. Há quem deixe de comer para entrar em uma calça 36. Há quem torre o cabelo com chapinha, para não ficar com um fio ondulado, por acreditar – de verdade – que isso é absolutamente normal, ou pior, necessário. Há quem viva fazendo dietas restritivas, ingerindo remédios para emagrecer, para ser aceita. Rótulos que não acabam mais. Rótulos que pregam algo que ninguém é, mas que todos tentam ser, e por quê?

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Rótulo significa: ”peça, geralmente feita de papel, com inscrição ou letreiro, que serve para informar sobre o objeto em que é fixada”. Ou seja, rótulos são feitos para descreverem produtos e não seres humanos. Então, por quê usamos os rótulos para definir os outros e até nós mesmos? Porque os rótulos são como uma resposta rápida que transmite uma sensação de superioridade, de controle e segurança, mesmo que isso seja apenas uma percepção ilusória. Afinal de contas, se rotularmos uma pessoa como ”tóxica”, não precisamos de mais, vamos tentar ficar longe dela. Se rotularmos uma situação como ”desagradável”, faremos todo o possível para escapar dela. O problema é que o mundo não é tão simples. Toda vez que colocamos um rótulo, destruímos a parte boa daquilo que rotulamos.

Se definirmos que tal pessoa é tóxica e insistirmos nessa ideia, iremos nos esquecer de suas qualidades, é como se ela fosse apenas tóxica e nada mais. No entanto, cada etiqueta que colocamos com o objetivo de limitar os outros, na verdade, restringe o nosso mundo. Cada rótulo é a expressão da nossa incapacidade de lidar com as adversidades, com a complexidade e a incerteza. Por fim, eles acabam dizendo mais sobre nós, do que sobre quem estamos rotulando. Precisamos lembrar que ”bom” e ”ruim”, são dois lados da mesma moeda. Você escolhe qual lado olhar.  Também precisamos olhar que se alguém faz algo errado do nosso ponto de vista, isso não significa que aquela pessoa é totalmente ruim, mas que ela é uma pessoa que fez algo que não corresponde ao nosso sistema de valores.

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Em um mundo marcado pela padronização, romper com os padrões é, para dizer o mínimo, um sinal de lucidez. É preciso ser capaz de pensar com a própria cabeça para interromper a rodinha da gaiola. É preciso honrar quem somos, desde as sardas espalhadas pelo rosto até as linhas do nosso sorriso. É preciso dar um definitivo adeus à gaiola. É preciso pôr um fim ao hábito de se submeter sem questionar. Sejamos insurgentes! Para que possamos buscar qual é a nossa verdadeira imagem, para que a gente nunca se contente em ser uma réplica daquilo que estipulamos como um modelo de beleza. Que possamos ter a audácia de seguir os nossos próprios padrões, porque o que a gente é, ninguém mais pode ser.

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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