Não bagunce o que você não sabe arrumar: nem coisas, nem pessoas, nem vidas, nem corações

Quando eu tinha cinco anos decidi que meus pais deveriam tirar as rodinhas da minha bicicleta, isso me rendeu um belo tombo, mas também me fez ver que se não tivesse tentado, não saberia qual é a sensação de depender apenas do meu equilíbrio. Quando tinha onze anos, usei maquiagem pela primeira vez – nem se passava pela minha cabeça que nove anos depois, isso se tornaria o meu emprego. Com treze, fiz minha primeira cirurgia. Com quatorze, arrumei meu primeiro emprego. Com quinze, pedi demissão para fazer um curso técnico e, desisti desse curso aos dezesseis, idade que sai de casa. Com dezoito, me casei. Escolhas e renúncias, algumas pensadas e calculadas, outras repentinas. Escolhas que fizeram de mim tudo que sou hoje, escolhas que falam da minha trajetória e dos percursos pelos quais decidi percorrer. Em cada escolha a renúncia de algo que precisou ficar para trás. Em cada escolha a dúvida, o medo, a insegurança, mas em cada uma a ansiedade pelo novo que viria, a curiosidade para saber como seria e a esperança de que nenhuma bagunça fosse feita, onde não soubesse arrumar.

Uma escolha aqui. Uma escolha ali. Uma escolha lá. Quantas não fazemos em um dia? Em uma semana? No mês? São elas, por mais pequenas que sejam, que moldam o nosso futuro. É preciso pensar e refletir antes de tomar uma atitude, antes de opinar, antes de entrar na vida de alguém. Às vezes, tomamos uma decisão sem ter certeza daquilo, desarmonizando o que estava em sintonia, e não é justo bagunçar os espaços e os sentimentos que não saberemos reorganizar. Imagine que você acordou com o sonho de abrir uma pizzaria, mas trabalha em um escritório de contabilidade. Você escolhe seguir o seu sonho e pede demissão, faz um empréstimo para conseguir um capital e abre sua pizzaria, mesmo sem conhecer o ramo. Você joga sua estabilidade para o ar, entra em uma dívida, e não tem certeza que aquilo é realmente o que você quer, afinal, você não sabia como era trabalhar em uma pizzaria até então. O tempo passa e você percebe que o que você gostava mesmo era de trabalhar no escritório. Mas aí, já é tarde demais.

Em alguns momentos da nossa vida, somos amaldiçoados pelo dom de desarmonizar e desarrumar qualquer ambiente que passamos, as vidas que entramos, qualquer sentimento que desejamos compartilhar. É como se do dia para a noite, a gente passasse a odiar a calmaria. Só que uma hora a gente paga o preço das escolhas mal feitas. Antes de agir, reflita. Antes de dizer, repense. Antes de escolher, tenha certeza. Porque são as escolhas que você fez, a história que você escreveu e quem você é que te acompanhará até o final desse jornada.

Não bagunce o que você não poderá arrumar. Não entre na vida de alguém, se não tiver certeza de que irá ficar. Não se desloque para espaços que você não saberá ocupar. Não jogue tudo para o ar, se você não sabe o que quer. Não conquiste um coração que você não irá acalentar. Não diga adeus para alguém que você quer que permaneça na sua vida. Um dia você terá que segurar a barra das suas próprias escolhas – que essa barra seja de escolhas acertadas, que realmente valeram a pena, que trouxeram sintonia e paz, não caos.

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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