Sabe a grama do vizinho?

Luana trabalha em dois empregos e faz hora extra sempre que pode para conseguir manter sua vida luxuosa nas redes sociais. Juliana é a mais popular da escola, a garota que parece ter tudo que quer, guarda seu travesseiro encharcado e finge que suas noites não são preenchidas pelo vazio. João parece ter o casamento perfeito, a casa que todo mundo sempre almejou e o emprego dos sonhos, pena que isso é real apenas para os que vêem de fora. Sabe a grama do vizinho que sempre parece ser mais verde que a nossa? Talvez ela nem exista. Talvez seja apenas um contrapiso pintado de verde, talvez seja uma grama artificial, talvez você não esteja enxergando a forma que ela realmente é. Da grama do vizinho nós pouco ou nada sabemos. Mas às vezes ela parece tão mais bonita que a nossa, tão mais viva, tão mais verde.

Nas redes sociais não há espaço para os dias que passamos de pijama jogados no sofá, para as sextas sem nada para fazer, para as brigas que acontecem dentro das nossas casas, para os nãos que a gente recebe, para as nossas crises de mau-humor ou para os pratos de arroz e ovo. Nas redes sociais todo mundo é feliz, todas as festas são incríveis, toda sexta-feira tem encontro com as amigas no outback, os relacionamentos são cheios de amor e compreensão, todas as famílias tem laços fortes e respeitosos. Mal sabemos que a vida real mesmo é a que acontece por trás do feed do Instagram, e que a grama do vizinho é mais parecida com a nossa do que a gente imagina.

Vida real tem louça suja na pia, brigas na hora do café, comida requentada, choro no chuveiro, mau-humor matinal, perrengues e mais perrengues. Vida real também tem gargalhada de quem a gente ama, café preparado as pressas mas com amor, conversas de desabafo na madruga, pulos de alegria depois de uma conquista, abraço apertado na chegada e coração apertado na despedida. E tudo isso a gente não publica, tudo isso a gente apenas vive e sente.

Ouvi alguém dizendo que se devemos nos comparar com alguém, que esse alguém seja nós mesmos. Confrontar as semelhanças de quem nós éramos no passado. Pense naquilo que você costumava falar, para onde ia quando se sentia sozinho, como tratava as pessoas e de que forma você encarava a sua própria existência. Essas são coisas que somente você pode buscar dentro de si e trazer á tona. Sabe porque não é justo e nem certo se comparar com outras pessoas? Pois elas não estão no mesmo processo que você. Elas não estão vivendo as mesmas fases e estações que as suas, porém, estão dentro de realidades internas diferentes das que você carrega na alma.

Cada pessoa constrói sua própria vida sobre bases que talvez ninguém conheça, ninguém a viu colocar tijolo por tijolo enquanto chorava ou sorria, ninguém a viu plantar sua grama, todo mundo vê apenas o que ela expõe. Essas pessoas não são piores e nem melhores que você, assim como você nem é pior ou melhor que elas. Cada pessoa tem as suas próprias subjetividades, sonhos, vivências e vontades. Cada pessoa é um universo diferente. Por isso somos tão diferentes ao mesmo tempo em que somos tão parecidos, pois cada pessoa está vivendo um processo nesse exato momento. Talvez sua vida possa parecer diferente da vida das suas amigas, do seu vizinho ou daquele cara que você sempre encontra no metrô, mas isso não quer dizer que a grama do outro é mais verde que a sua.

Espero muito que vocês tenham gostado, um super beijo e até o próximo post!

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