Os opostos até se atraem, mas são os dispostos que permanecem juntos

Ei, aposto que em algum momento você já escutou que os opostos se atraem, não é? E você acreditou tanto nisso que até usou essa frase como desculpa para insistir em um relacionamento confuso, acertei? Entendo que existem diferenças que se complementem e que essa troca de experiências seja responsável por um dos maiores aprendizados da vida, afinal, se só encontrássemos gente igual a nós, não aprenderíamos a viver e a conviver nesse mundo. E seria um tanto maçante, pois seríamos pessoas em busca de uma extensão de nós mesmos e não, verdadeiramente, pessoas dispostas a amar outras pessoas. E o amor é feito de trocas. No entanto, o que acontece é que com o passar do tempo algumas diferenças vão se acentuando e começam a pesar muito negativamente na balança do relacionamento. Precisamos compartilhar os gostos, mesmo que não seja o gênero predileto de ambos. Assistir uma comédia romântica, uma vez ao mês, não mata ninguém, não é?

Não há palavras que expressem quão bom é encontrar pessoas mais similares a nós, às nossas características imutáveis e essenciais. É extraordinário compartilhar de um mesmo mundo. Ir ao seu restaurante favorito e ver a empolgadão do outro, pode ser muito mais divertido. Você não vai passar a amar sertanejo, comédia romântica ou baladas, por exemplo, de uma hora para a outra, mas aquele instante vivido vale a pena. O amor também é entrega, e mesmo que não estejamos fazendo o que mais gostamos, é gratificante ver a alegria do outro. No entanto, ninguém consegue ser feliz se anulando o tempo todo e renunciando a tudo que gosta para satisfazer os desejos alheios.

É uma troca. É preciso estar disposto a abrir seu mundo para aquele alguém e também entrar no mundo do outro. Como construir uma vida juntos quando estamos em direções opostas? Em um ciclo totalmente diferente? É preciso chegar a um consenso quando um quer ir para a praia e o outro subir a serra. E ceder tem que ser um exercício constante e praticado igualmente pelos dois lados. E além disso, tem que ser um ato totalmente voluntário. Não há nada de mal em gostar de pizza de filé mignon e o outro gostar de pizza de brócolis. Isso não dificulta a relação. Mas, existem diferenças que se tornam abismos.

Como dizia Quintana: Amar é mudar a alma de casa. E quem for muito apegado à sua casa, às coisas sempre do se jeito, quem não tiver disponibilidade de entrega e não for bom anfitrião, não conseguirá abrigar o amor. É necessário paciência, equilíbrio, boa vontade e desapego para apegar-se. Quem não souber dividir, seja o tempo, seja a última fatia do bolo, a cama, os medos e as alegrias, não vai conseguir somar nada de bom. Entende a equação? Essa matemática só o coração resolve.

Quando um quer casar, comprar um apartamento na planta e construir uma família, e o outro quer rodar o mundo atrás de grandes ondas, fica complicado. Quando um tem filhos e o outro não gosta de crianças, não adianta insistir. Fora que, além de dificultar a relação, as diferenças cansam. A vida flui mais e as coisas se tornam mais leves, quando não batemos de frente com o universo do outro a todo instante e quando não forçamos as mudanças daquele alguém de acordo com os nossos anseios. Porque todos nós somos universos individuais, e tem que haver muita disposição para habitarmos dois universos ao mesmo tempo.

Os opostos até se atraem, mas são os dispostos que levem a melhor, que são mais felizes e que permanecem juntos. 

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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