O mundo é como nós o vemos, e não como ele é

Muito estranho parar para pensar e ver que a mesma rua que vemos não é a mesma rua que os outros vêem. Que um problema que é gigantesco para mim, não é nada para aquele senhor que lê jornal todo dia na praça, porque ele enfrentou problemas muito piores. Quando era pequena estudava em uma escola de dois andares, o primeiro andar ficava as crianças do jardim de infância e primeira série e no segundo ficava a segunda e terceira série, lembro que via as crianças subirem as escadas para o segundo andar da escola e ficava maravilhada, era como se fosse coisa de outro mundo subir as escolas e estar em um ambiente que só os alunos da segunda e terceira série frequentavam. Finalmente havia chegado a minha vez, iria estudar no segundo andar da escola, todos os dias chegava na escola eufórica, até que com o tempo aquelas escadas perderam a graça, o corredor do segundo andar era tão escuro e as salas não eram tão legais como as do primeiro andar. Foi como se o encanto tivesse sido quebrado. Incrível como a mesma situação pôde ser vista de duas formas diferentes pelos mesmos olhos, na primeira como se fosse algo magnífico e na segunda como algo comum.

Decidi escrever sobre isso porque percebi o quanto os meus pensamentos mudaram de um tempo para cá, e o quanto ter visto a vida de forma negativa me fez perder momentos, ciclos que se encerraram e que só deixaram suas marcas e que por mais que eu sinta saudades e deseje voltar no tempo, não voltará. Não era uma pessoa positiva, não pensava antes de agir e nunca parava para admirar os presentes que a vida nos dá. O que fazia sentido para os outros não fazia sentido para mim, me sentia perdida e nunca conseguia encontrar qual era o meu lugar. Então, seguia o meu percurso com as expectativas que os outros colocavam em mim. Não foi simples perceber que essa vida não tem nossa forma perfeita, que não vamos conseguir encontrar um lugar definitivo para fazer morada, porque estamos em uma constante transição, o que você fizer hoje, talvez amanhã não fará sentido algum.

Lembro que quando morava com os meus pais nunca consegui sentar e realmente dizer a eles como me sentia, ao invés disso, passava horas sozinha no meu quarto. Lembro que ia em alguma loja com a minha irmã e nunca comprava aquilo que eu realmente gostava. Lembro que quando saia com as minhas amigas, ao invés de ser quem sou, era o que elas eram, me vestia igual, me maquiava igual, falava igual. Isso acontecia de modo tão automático, era como se fosse minha proteção para aquilo que não sabia lidar, pois seguindo os padrões me sentia encaixada e nunca era questionada, nunca precisava me impor. Até que de tanto seguir um padrão, acabei esquecendo quem eu realmente era e me tornei o que os outros eram, passei a ver a vida como todas as outras pessoas ao meu redor.

Minha transição começou quando sai da casa dos meus pais e decidi que não iria continuar seguindo o percurso que estava: fazia um curso de técnico de enfermagem e quando os estágios começaram, percebi que aquilo não era o que eu queria e que não iria conseguir fazer o bem para alguém, sem estar fazendo um bem para mim. Desisti. E pude perceber que nem sempre desistir significava fechar portas, no meu caso, desistir me abriu muitas delas. As vezes, precisamos ter um minuto de coragem e sair da bolha que estamos vivendo para perceber que aquilo não é o que a gente realmente quer, e seguir algo que não nos faz bem, destrói um pouquinho de quem somos todos os dias. Depois daquele dia me senti confiante em tomar minhas próprias decisões, entendi que lidaremos com as consequências das nossas escolhas, seja seguindo os padrões ou não, as expectativas ou não, sendo quem somos ou bloqueando nossa essência.

Definir a forma como você quer viver não quer dizer que sua vida será mais fácil, pelo contrário, é desafiador não pensar como todas as outras pessoas. Mas, ao mesmo tempo, é viver preenchido daquilo que você acredita, se identifica e te faz bem. É entender que você pode achar o azul a cor mais linda hoje e amanhã amar o rosa, vestir uma calça jeans e perceber que você só quer usar moletom, trocar o sorvete pelo açaí. E que tudo bem mudar, tudo bem explorar o desconhecido e as tantas opções disponíveis, tudo bem pensar fora da caixa e querer ver o mundo de uma forma diferente. Mas, que tudo bem querer ver o mundo com os mesmos olhos que as outras pessoas vêem também, desde que isso nos preencha.

Você nunca conseguirá descobrir uma nova versão de si mesma se continuar fazendo as mesmas coisas. Você nunca superará um medo se não o enfrentar de frente. Você nunca irá se amar do jeito que você é, sem olhar para si mesma. Você nunca irá admirar o pôr do sol se não parar para assisti-lo. Não saberá dirigir, se não for tirar a carta. Ninguém sabe quantos anos terá na terra, tão pouco sabe onde viveremos após essa vida. Então, não espere o tempo passar para perceber o quanto a vida é extraordinária e você não reparou. A vida é um livro, faça com que cada página tenha uma sensação diferente. Senão, de nada valerá esta jornada.

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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