8 coisas que o mundo me ensinou e tive que desaprender

Quer queiramos ou não, quer nos demos conta ou não, estamos o tempo todo desempenhando papéis. No trabalho somos profissionais competentes, disciplinados, resolutivos. Na família queremos ser o bom filho, o tio exemplar, a mãe dedicada. Na roda de amigos queremos parecer o mais engraçado, aquele sempre disposto a ajudar, o que tem sempre tem os melhores conselhos. É automático e compreensível que precisemos desempenhar papéis. Mas em meio a tudo isso, será que tem sobrado tempo e espaço para que possamos ser somente a gente mesmo, somente aquilo que somos de verdade, sem precisar a todo momento provar algo pra alguém? Aliás, em meio a tudo isso, desconfio que tenhamos dificuldade até pra saber ao certo quem somos. Pense no seu circulo de relacionamentos, com quantas pessoas você sente que pode ser quem é de verdade? Quantas pessoas lhe respeitam a ponto de permitir e aceitar quem você é?

Esperam tanto de nós que estamos nos desconectando da nossa essência. Afinal, quem você é? Do que você gosta? Como se sente em determinadas situações? O que é importante pra você? Não sei se ainda sabemos, não sei se temos tido espaço pra só ser a gente, sem máscaras, sem papéis a desempenhar. E dar o primeiro passo para desaprender alguns destes papéis é um dos maiores desafios que precisamos enfrentar, é quase como escrever a biografia do nosso descaminho. Mas acalma a alma saber que podemos trilhar caminhos diferentes do que nos foi ensinado, que não precisamos ser iguais, pensar igual ou viver em uma bolha vazia, sem nenhuma descoberta. Nem sempre você segue aquilo que você acredita, aquilo que você se identifica e aquilo que te faz bem. E isso acontece porque temos medo de aceitar que não somos como as pessoas queriam que fossemos, porque vivemos em busca de superar as expectativas dos outros, enquanto nossos anseios são esquecidos. Desconstruir alguns conceitos é essencial para florescer quem realmente somos. Desconstruí alguns, e não foi fácil, mas foi a base para ser quem sou hoje.

Acho que o quero dizer com isso é que aprendi a analisar antes de concordar com o que já vem pronto, e analisar pode ser uma atividade profunda, tem muito a ver com se conhecer, com não se deixar levar por ideias de grupos, amigos, namorados, família. Tem a ver com um diálogo interno e um afastamento das situações, por mais que elas envolvam emoções e vontade de pertencer e compartilhar ideias que o tornariam uma pessoa legal aos olhos alheios. Ouvir, entender e falar consigo mesmo. Qual é o outro lado da moeda? Qual é a opinião contrária? Enfim, tudo, absolutamente tudo, é contestável, tem dois lados e deve ser refletido.

 O silêncio fala mais do que grandes conversas, a fala excessiva anestesia os sentidos e outras formas de perceber o mundo. O mundo sempre me ensinou que quem fala, quem se comunica, quem tem o dom da palavra dita alta é poderoso, inteligente, conhecedor de coisas desse mundo. Pode ser mesmo, mas o silêncio, o aprender a escutar e sentir não só as pessoas, mas os olhares, os gestos, as estações, os sorrisos ou as faltas deles, te leva a conhecer coisas além desse mundo. Fiquemos um pouco quietos e escutemos os ecos dentro de nós que sempre são abafados pela fala excessiva.

A preocupação é um desperdício da imaginação, essa vida louca que nos faz pensar que devemos ser sérios, e termos sempre algo para nos preocupar. Claro que sempre há problemas: pessoais, sociais, políticos, culturais, ambientais… Evitar a preocupação exagerada não quer dizer fingir que os problemas não existem, mas é manter a calma para lidar com eles, é deixar de se preocupar sempre para poder usar o cérebro para algo mais prazeroso: imaginar!

Ser distraído e bobo te levam além, incrível como o mundo prega a importância de estar o tempo todo ligado, preocupado, maquinal… Como o mundo é um joguinho em que os espertos vencem, te deixam para trás, te usam se preciso, ambicionam e alcançam a qualquer custo. E os bobos, os do mundo da lua, os que conseguem imaginar histórias e ver detalhes, os distraídos que dormem e ainda sonham, que acordam e ainda sonham, que proliferam sentimentos, que conservam a capacidade de sentir ao invés de entender, esses vivem! E os que entendem tanto tudo e todos, que não caem em armadilhas, também desaprendem a se entregar e a viver profundamente, porque ao entender demais o medo surge e domina tudo. Benditos os distraídos que ainda conseguem, mesmo que por um tempo limitado, naufragar na beleza das emoções e das pessoas.

O meio termo e o equilíbrio não me servem, o mundo fica ensinando a ir em busca de um tipo de conforto que me parece, às vezes, nos fazer viver como zumbis – cegos e sonâmbulos. Queremos ver a vida através dos nosso olhos preocupados e da vontade atenta de não fazermos papel de bobo, e o nosso gol se torna alcançar um pedacinho no mundo em que sejamos mais espertinhos, em que conheçamos todos os cantos, em que nos relacionemos sem grandes conflitos e que possamos seguir uma rotina sem grandes descobertas. Para mim isso parece, além é claro de uma monotonia, um viver em cima do muro, num equilíbrio estático.

Onde não puder amar não se demore, a vida ensina a sermos rasos e insistentes, frios e comprometidos, focados e calculistas. Eu não. Sou profunda e não me demoro quando encontro campos inférteis, só fico se há amor, paixão, interesse… Há de haver um tempo dos amores crescerem e frutificarem? Sim, acredito nisso, tento cultivar amor, mas se ele não desponta, nem devagar, nem naturalmente, acredito na partida. Amor que é bom é orgânico, não precisa de tanta luta, nasce e cresce sozinho. Mas há pessoas que pavimentaram o próprio coração. Então, para que desperdiçar sementes no asfalto?

 O trabalho não é a coisa mais importante do mundo, pode até ser que seja, se for por uma causa, uma missão, uma paixão… Mas desacredito na ideia de que trabalho enobrece. Nem sempre. Muitas vezes, é bem o contrário disso. É triste ver que pagar as contas e construir uma aposentadoria, garantir um futuro confortável, seja o maior objetivo da vida das pessoas. Sei que pagar as contas é um mal necessário, mas não acho que esse deva ser o maior objetivo de todos.

 Eu não sou o que como, eu não sou o que tenho. Desaprendendo isso também, acredito apenas que: “Eu sou o que sonho”.

Compartilha com a gente: qual conceito você precisou desconstruir para poder expressar quem você é?

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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