Metáfora da árvore dos desejos: como sabotamos a nossa própria vida

Era um dia como todos os outros para Beatriz, o despertador tocou no mesmo horário, o café da manhã foi torradas como de costume e o percurso para o trabalho ela já sabia de cór. Mas algo diferente aconteceu. Quando o expediente terminou, ao invés de ir para casa como normalmente fazia, ela decidiu caminhar até uma praça que ficava ao lado do seu trabalho, tirou os sapatos e sentou-se debaixo de uma árvore, sem ao menos saber que aquela não era uma árvore qualquer, aquela era uma árvore  mágica, que instantaneamente concedia todos os desejos de qualquer um que encostasse nela. O dia havia sido tão exaustivo, que naquele momento ela só pensou em se desligar de tudo e desfrutar de um pequeno piquenique, mas não havia levado nada. Imediatamente, uma cesta de frutas e pães surgiu diante dela. Surpresa, ela olhou para aquela cesta e sem hesitar, realizou seu desejo.

Quando ela saciou sua fome, percebeu que estava com sede e desejou ter algo para beber. Um copo de água apareceu diante dela. “Meus desejos se realizam“, pensou ela, incrédula. “Se realmente é assim, eu queria ter um belo carro“, disse em voz alta. Um carro apareceu na calçada que estendia à sua frente. Um grande sorriso cruzou seu rosto. Beatriz pensou que de alguma forma tinha sido abençoada com um dom incrível e desejou ter alguém para amar, para formar família e compartilhar sua boa sorte. Quando um rapaz apareceu diante dos seus olhos, ela disse: “Espere um minuto, isso é ridículo. Eu nunca fui tão sortuda na vida. Isso não acontece fácil comigo“. Ela nem precisou terminar de dizer essas palavras quando tudo desapareceu.

Resignada, ela disse para si mesma: “Eu sabia, algo tão maravilhoso não aconteceria comigo“. E foi embora, decepcionada, aborrecida e pensando em seus muitos problemas. Para muitas pessoas, como Beatriz, coisas maravilhosas acontecem com elas, e depois desaparecem como um passe de mágica, simplesmente porque pensam que não as merecem. Essa metáfora nos convida a refletir sobre o que esperamos da vida e o que acreditamos que podemos alcançar. 

Nós tendemos a pensar que o nosso mundo é construído sobre fatos. Mas os fatos são apenas uma variável em uma equação muito mais complexa. Interpretamos constantemente esses fatos e, ao fazê-lo, damos a eles um significado de acordo com nossa concepção de vida e a imagem que temos de nós mesmos. Então nossas certezas entram em jogo, que originalmente eram apenas suposições. Como Beatriz, quando temos a certeza que de não merecemos algo, mais cedo ou mais tarde vamos perdê-lo.  Quando acreditamos que não somos valiosos o suficiente para alcançar certos objetivos, um mecanismo será ativado dentro de nós para confirmar essa presunção, transformando-a em uma certeza. Então começamos nos sabotar, geralmente no nível inconsciente.

Uma vez que tenhamos formado uma ideia sobre nós mesmos, tudo o que a contrapõe se torna uma dissonância cognitiva. Em nosso interior, um tipo de alarme é ativado para garantir que esse “eu” permaneça estável. O problema é que às vezes esse mecanismo de autoproteção nos impede de crescer e, como Beatriz, nos impede de alcançar objetivos mais ambiciosos. Portanto, se acreditarmos que não merecemos algo, encontraremos uma maneira de nos impedir de alcançá-lo. Esse mecanismo pode ser visto em um relacionamento, quando encontramos uma pessoa tão fantástica que acreditamos que tudo é bom demais para ser verdade e acabamos sabotando o relacionamento, talvez com ciúmes ou desconfiança.

Também pode acontecer no local de trabalho, quando eles nos dão uma oportunidade tão boa que não damos crédito e o medo de cometer erros e insegurança acabam nos fazendo perder essa chance. Assim fechamos um círculo vicioso no qual acabamos dizendo: “foi bom demais para mim”. O problema é que, quando aceitamos essas mudanças, também nos forçamos a mudar a imagem que temos de nós mesmos. E esse é um processo complicado que nem todo mundo está disposto a assumir. Muitos preferem ficar em sua zona de conforto, reclamando de sua “má sorte”, sem perceber que muitas vezes eles mesmos contribuem para os eventos que tomam esse rumo negativo. Sentir-se indigno gera uma resistência à mudança positiva. Assim, nos condenaremos a uma vida vaga na qual apenas as profecias negativas que fizemos sobre o nosso futuro serão cumpridas.

Deixar de se tornar o seu principal obstáculo: como quebrar esse círculo vicioso? 

“Ignoramos nossa verdadeira altura até nos levantarmos”, disse a poeta Emily Dickinson. O engraçado é que geralmente a educação que recebemos, a sociedade e as pessoas mais próximas a nós são aqueles que preferem que permaneçamos sentados. Afinal, isso é mais confortável para todos. Portanto, o primeiro passo para alcançar o que você sonha é se livrar das “certezas” que o limitam. Aquelas coisas que você assume como verdades inabaláveis são, na verdade, pressupostos cuja origem provavelmente pode ser rastreada até seu passado. A sensação de não ser suficientemente capaz ou indigno geralmente vem de experiências durante a infância ou adolescência. É até provável que essas “certezas” sejam palavras que foram repetidas para você por seus pais, professores ou outras pessoas importantes em sua vida. Eles ajudaram a moldar a imagem que você tem de si mesmo.

Quando perceber que um “eu” estático é um “eu” que não cresce, perceberá que a dissonância cognitiva não é uma coisa negativa a qual deve ser temida, mas na verdade é um sinal de que você pensa, evolui e muda. Enquanto você trabalha para perdoar a si mesmo por aqueles pensamentos arraigados que o impedem de alcançar seus sonhos, você descobrirá que começa a se sentir melhor, mais leve e aliviado. Pouco a pouco, você estará se preparando para aproveitar ao máximo as boas oportunidades que surgem em sua vida, em vez de sabotá-las e ficar chorando sobre o leite derramado. Você é suficiente para alcançar o que quiser. Você é forte. Você pode. Você deve. Depende apenas de você. 

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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