Você é de vidro, de plástico ou de aço?

Dizem que a gente se acostuma com tudo nessa vida. De início, o desconhecido tira o nosso chão, arranca aquele suspiro de prazer da novidade, causa frio na barriga, arrepio. Depois de um tempo, aquilo que era diferente – para o bem ou para o mal -, acaba se dissolvendo nas coisas antigas e familiares, perde a astúcia da estreia, e, tal como todo o resto que já estava ali, vira coadjuvante da rotina. É na hora do susto, naquele tempo curto que dura o choque, que temos a chance de sair do lugar, mudar o enredo dos dias, guardar as certezas numa gavetinha escondida e abrir portas e janelas para os ares frescos de uma vida à qual ainda não havíamos sido apresentados.

Criamos raízes no emprego que já não temos, no amor que já não está, ao equilíbrio perdido.. como se abraçados às sombras de tudo que já não existe mais, pudéssemos evitar que o inevitável se cumpra. Negamos a nós mesmos o direito de aprender que não saber o que fazer faz parte do processo. São as perguntas, e não as respostas, que têm a capacidade avassaladora de nos desconstruir para, depois que passar a tormenta, poder apreciar o que só vem depois que somos capazes de desenhar pontos finais, onde insistíamos em traçar eternas reticências.

Houve um tempo, que pensei ser de aço. Mas na verdade, nada mais era que vidro. Não filtrava as palavras que ouvia, absorvia tudo o que havia de negativo ao meu redor e fingia que aquilo não me fazia mal. Não tinha munições, não tinha armadura, não tinha resistência. Apenas, me quebrava em mil pedaços por qualquer pingo. Até que me transformei em plástico. Acredito que os pedaços que me tornei sendo vidro se uniram novamente com flexibilidade e resistência. No entanto, quando as batalhas se formavam a sensação de que iria me quebrar voltava. Vivia me equilibrando na corda bamba.

Percebi que poderia ser aço. Tentei, mas a verdade é que ninguém consegue ser completamente impermeável, ninguém é de aço de verdade, porque nosso revestimento é feito de algo muito mais sutil, que são as emoções. O que muda depois de algumas batalhas, é que aprendemos a tirar todas as chances de aprender algo com as situações que se colocam e o causam. O que se pode fazer nesse sentido é entender que longe de sermos um muro diante dos problemas, e conseguir a façanha de fazê-los rebater em nossa proteção, devemos nos dotar de habilidades para gerir melhor o que chega diante de nós: o objetivo é filtrar, manusear, entender e transformar a situação.

Se pudêssemos escolher deveríamos ser vidro, aço ou plástico? Deveríamos ser uma mistura dos três. Não devemos permitir que nenhum momento nos destrua, que nos quebre, mas também não devemos colocar uma armadura e viver a espera de um impacto. É preciso construir o seu próprio material no meio do caminho. Um material que ainda que se dobre, volte para sua posição original tendo aprendido algum ensinamento importante da situação, para avançar com ainda mais fluidez.

 Porque não importa o destino que tenhamos traçado… onde quer que cheguemos, se estivermos com as mãos livres, as costas libertas do peso de tudo aquilo que não serve mais e a vontade de aprender com qualquer batalha que apareça, teremos infinitamente mais chance de abraçar uma vida nova.

Compartilha com a gente: você costuma ser vidro, aço, plástico ou os três?

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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