A gente sempre acha que terá tempo de sobra…

Ninguém define nossas prioridades, nós definimos. Fomos nós que priorizamos o trabalho e deixamos os domingos em família para trás. Fomos nós que escolhemos ficar conectados no Facebook ao invés de sair para jantar com os amigos. Fomos nós que escolhemos porque pensamos que sempre vamos ter tempo de sobra para tudo. Mas a verdade é que ninguém tem. Argumentos vagos são usados: você não pode ir na casa dos seus pais porque se não perderá um capítulo da novela, você não foi na festa da escola do seu filho porque você ficou com vergonha de pedir folga no trabalho, o futebol era mais importante que seu aniversário de casamento. Você não percebe que nem tudo estará ao seu alcance por muito tempo. Seus pais podem não estar te esperando amanhã, seu filho pode até ter outras festas na escola, mas não será como a que você perdeu. De uma hora para outra o correr da vida nos engole por completo, por isso é urgente não adiar nem tardar o perdão, as manifestações de afeto e a nossa presença plena e integral junto àqueles que amamos.

Eu sei que posso deixar para amanhã a conta que não vence hoje, as compras que vão entulhar ainda mais o meu guarda-roupa, a irritação de um e-mail pouco importante a as mensagens bobas de um grupo do whatsapp. Mas não posso deixar para amanhã um poema que me surge quando perco (ganho!) dez minutos olhando para uma árvore da janela. Não posso deixar para amanhã um sonho, um amigo que precisa de apoio, a conversa por telefone com minha mãe, a vontade de um sorriso. Não posso deixar para amanhã o que quero que a vida seja, hoje. Não posso deixar para amanhã o que eu posso ser hoje.  Não deixe para amanhã as atividades que cabem neste dia, muitas vezes elas entram espremidas – num intervalo de almoço, numa sobreposição com outra tarefa – mas cabem.

Entender que a vida é feita de hoje, de que o tempo é curto é necessário para aprender a arte de abrir mão – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial. Na medida do meu possível, hoje abro mão de atividades não essenciais, de bagagens pesadas, de encontros superficiais e horas na frente do celular. Abro mão de tudo que preenche essa minha curta existência neste mundo com coisas que não acrescentam e que me fazem estagnar. Lapido meus dias e limpo minhas horas. Porque o tempo não aceita desaforo e tudo o que é importante hoje na minha vida, amanhã pode não existir mais.

Então, espero que nossas vidas sejam compostas de ”hojes” repletos de coisas essenciais e ”amanhãs” – que nunca chegam – guardando as sobras inúteis dos dias. Que não deixemos para amanhã os abraços que podemos dar hoje, os encontros, o afeto. Que não deixemos para amanhã os telefonemas que podemos fazer hoje. Que não deixemos para amanhã tudo aquilo que podemos fazer, mas preferimos ficar estagnados no mesmo lugar por comodismo. Que não precisemos esperar o amanhã chegar para perceber que poderíamos ter ido além. E que não deixemos para amanhã o que podemos fazer A VIDA ser hoje.

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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