Quantas vezes nessa vida a gente se atropela…

Somos turbilhão. Somos calmaria. Somos aquele caos que faz o coração bater mais forte. Pena que a gente se atropela, capotamos o nosso corpo, desviamos da nossa alma, não paramos no farol vermelho e atropelamos os nossos dias, as tarefas que temos, as coisas mais bonitas que florescem ao nosso redor. Fechamos os olhos para a vida e vivemos em modo automático, não sentamos dez minutos para respirar fundo, não conseguimos filtrar os nossos sentimentos, não pensamos no que aconteceu ou no que pode vir a acontecer. Apenas vivemos, sem meditar sobre nós, sem saber quem habita o nosso corpo, apenas cumprindo avisos, horários e pagando boletos. Os sinais do corpo não são ouvidos, afinal, para que existe remédio? Melhor responder os e-mails primeiro. Sentar e almoçar com calma? Nem pensar, preciso fazer mil ligações. Quantas vezes nessa vida a gente se atropela, cada dia mais, com pancadas mais fortes.. e por quê?

Esquecemos o significado de um abraço, o quanto cada aprendizado não vêm por acaso e o quanto a vida passa depressa. Ofuscamos a poesia com a fofoca. Ocultamos um olhar profundo, um encontro de sentimentos com a vontade de que as coisas cresçam e vinguem no momento seguinte. A gente se atropela dando ouvido demais para o que, no fim das contas, não agrega em nada na nossa história. Atropelamos o silêncio, o nosso e o dos outros. Atropelamos quem não se atropela e sentamos um pouco todos os dias no meio da estrada daqueles que não sabem apreciar o agora, porque consideram o depois mais importante.

Como aprender a viver mais o momento presente quando nossa mente está tão acostumada a se manter no passado ou no futuro? 

Não faça do presente apenas um degrau para o futuro: viva, aproveite sua caminhada. Você está em busca da realização de um sonho? Tem trabalho muito por ele? Isso é um bom sinal, os sonhos movem o nosso ser. Porém, durante a caminhada não se esqueça de olhar para seus pés e apreciar o caminho, se divertir com as surpresas, curtir as pequenas alegrias, sentir o amor que irradia dentro de você, conhecer a si mesmo, desfrutar da companhia das pessoas. Tem tanta coisa boa aqui e agora.

Não permita que os seus costumes seja o seu guia. Se você pensa em começar algo, mas desiste antes de tentar porque ”sabe que não aguenta um mês”, ”já desistiu outras vezes” ou qualquer outra justificava vaga que você não faz porque no passado não deu certo, habitue-se a dizer para si mesma: tudo o que eu tenho e preciso fazer é hoje. Esqueça suas falhas do passado e não se preocupe com o amanhã, apenas faça hoje. Faça isso todos os dias e você deixará de ser prisioneiro do seus hábitos.

Algumas vezes por dia, saia do piloto automático e volte totalmente a sua atenção para o seu corpo. Se você fizer isso em situações em que seus sentidos estão sendo estimulados de alguma forma, como no banho, ouvindo música ou se olhando no espelho, é ainda melhor. Se estiver no banho, sinta o toque da água na sua pele, a sua temperatura corporal. Se estiver ouvindo música, preste atenção em como o som entra pelos seus ouvidos, como seu corpo vibra diferente, como seu coração está batendo.

As coisas simples da vida são como estrelas que reluzem nas noites encobertas. Por mais que elas estejam sempre lá, rodeando-nos, proporcionando a nós sua magia sutil em forma de felicidade, nem sempre paramos para olhá-las, nem nos lembramos de que elas existem. Só quando elas se escondem que percebemos a falta que elas fazem, quando a vida se mostra para nós um pouco ou muito difícil é que lembramos o que de verdade importante para nosso coração, o que afina as cordas internas que fazem música e dão sentido à nossa existência. Não espere sentir falta para apreciar, não atropele sua própria felicidade, não tente alimentar o seu ser daquilo que é insignificante. Dê valor para o que realmente importa. Não espere o amanhã, porque dessa vida só temos uma certeza: que somos apenas donos do hoje.

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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