A vida não pode ser só pagar boletos e tentar emagrecer

Se tudo pudesse ser substituído por algo que realmente vale a pena, talvez, o mundo seria um lugar melhor. Os vazios poderiam ser ocultados pelos sonhos, a arrogância pela empatia, as cobranças pela reciprocidade. Dentro de nós existe uma força que vai muito além do que costumamos demonstrar, mas, que é ofuscada pela rotina, pelas exigências e por aquela velha mania de pensarmos que não somos suficientes para aquilo. Somos os grandes culpados pela quantidade de negatividade gerada no nosso dia a dia. Quando nossos olhos se abrem não agradecemos, reclamamos por estar cedo demais ou por ter muitos compromissos naquele dia. Quando nossa imagem é refletida no espelho crucificamos o que vemos. Quando pagamos uma conta, reclamamos se o carteiro já entrega as próximas por debaixo da porta. Quando as reclamações não são internas, descontamos nossa insatisfação no mundo

Exploramos uma vida que é feita de uma série de erros e acertos, chegadas e partidas, perfeição e imperfeição. Deveríamos estar acostumados em viver na corda bamba, em ser flexível diante das adversidades e paciente para enfrentar os dias turbulentos. Mas, o medo de errar, de não conseguir lidar com as mudanças, com as diferenças ou com o próprio cotidiano é algo que faz com que a gente trilhe um caminho errado, abrindo nossa bagagem para o surgimento de sentimentos de culpa, raiva, competitividade, tristeza, de poucos valores.

Você permitir que a autocobrança faça parte dos seus dias é importante para que você possa lidar com as tarefas e manter as responsabilidades sobre aquilo que assumimos conosco e com o outro, mas, ela em excesso pode prejudicar o desenvolvimento emocional, pessoal e profissional se não for trabalho de maneira consciente. Cultivando uma rigidez emocional que gera crises de pânico, tensão, ansiedade, depressão, sentimento de paralisia nas decisões cotidianas, remorso e muitos outras formas intensas de sofrimento.

Motivar-se é diferente de cobrar-se em excesso. Exigir algumas coisas de si mesmo para não acomodar-se é essencial, mas em excesso pode tornar-se algo patológico, que ao invés de colaborar para o crescimento pode resultar em prejuízos na relação consigo mesmo e com o outro. Uma pessoa exigente consigo mesma tem a tendência de comparar-se constantemente e focar apenas naquilo que lhe falta ou naquilo que ainda não foi conquistado, além da busca constante pelo reconhecimento e aprovação dos outros. Ela sempre desvaloriza as próprias conquistas e se surpreende ou dúvida das intenções do outro ao receber elogios, vivendo então um intenso e doloroso ciclo.

Imagine-se em uma dieta restrita, você cortou a maioria dos carboidratos, o refrigerante e todos os doces do seu dia a dia. Semanas se passaram, você sobe na balança e percebe que perdeu cinco quilos. Mas, não se sente feliz, afinal você queria perder dez quilos e não cinco. Você mesma desmerece todo o trabalho e esforço que precisou fazer para aquele resultado, não percebe que do longo caminho que você precisava percorrer, já alcançou a metade.

Portanto, menina linda que me lê agora, entenda que tanto faz os números marcados na balança, quantos boletos estão debaixo da sua porta ou quais cobranças você já fez para si hoje. Se você passar sua vida inteira brigando com os quilinhos a mais na balança ou com a chegada dos boletos, você estará rejeitando sua própria existência. Faça o seu melhor e entenda que isso é a melhor coisa que você pode fazer, mesmo que não conquiste todos os seus objetivos.

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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