Quer sair de casa? Então anote esses cinco aprendizados na sua agenda!

Voar: a eterna inveja e frustração que o homem carrega no peito a cada vez que observa um pássaro no céu. Aprendemos a fazer milhões de coisas, mas voar a vida não deixou. Talvez por saber que nós, humanos, aprendemos a pertencer demais aos lugares e às pessoas. E que, neste caso, poder voar nos causaria crises difíceis de suportar, entre a tentação de ir e a necessidade de ficar. Porém, quando surgiram os aviões, o patinete e a Harley, a gente descobriu que, mesmo sem asas, poderia voar. O grande empecilho foi quando percebemos que poderia ir sem data para voltar. Assim, começaram a surgir os corajosos que deixaram suas cidades do interior para alimentar a família nas capitais, cheias de oportunidades e monstros. Os corajosos que deixaram o aconchego do lar para estudar e sonhar. Os destemidos que deixaram cidades amadas para viver oportunidades que não aparecem duas vezes. Os audaciosos que deixaram, enfim, a vida que tinham nas mãos para voar para as vidas que decidiram encarar de peito aberto.

Começamos a viver um roteiro clássico: deitar na cama, pensar no antigo-eterno lar, nos quilômetros de distância, pensar nas pessoas amadas, nos risos que você não riu, no que eles estão fazendo sem você, nos perrengues que você não estava lá para ajudar. É tentar, sem sucesso, conter um chorinho de canto e suspirar sabendo que é o único responsável pela própria escolha. No dia seguinte, ao acordar, já está tudo bem, a vida escolhida volta a fazer sentido. Mas você sabe que outras noites dessa virão. Será que um dia a gente aprende a ficar doente sem colo, a transformar apartamentos vazios na nossa casa, a sentir o cheiro da comida com os olhos, transformar colegas em amigos, dores em resistência, saudades cortantes em faltas corriqueiras?

Será que a vida será sempre esta sina, em qualquer dos lados em que a gente esteja? Será que estaremos aqui nos perguntando se deveríamos estar lá e vice versa? Será teste, será opção, será coragem ou será carma? Será que um dia saberemos, afinal, se estamos no lugar certo? Será que há, enfim, algum lugar certo para viver essa vida que é um turbilhão de incertezas que a gente insiste em fingir que acredita controlar?

Coisas pequenas podem se transformar em algo grande, você até tinha mania de colocar o despertador para tocar, mas quem te acordava de verdade eram seus pais, pois se dependesse de você, iria para a escola quase dormindo. Era fácil só levantar da cama quando se tinha um café da manhã prontinho em cima da mesa. Difícil mesmo é acordar cedinho só para preparar o café arrumar a mesa que só você ocupará. Você aprende que a tolha nunca fica no banheiro quando você precisa e que acontece uma luta interna para você desligar o chuveiro quentinho só para pegar a toalha que você esqueceu. Descobre que não é tão fácil escolher comida no supermercado, e que o dinheiro que tanto economizou para o mês começa a sumir sem você saber na primeira semana.

Logo nas primeiras semanas, o mais novo ser independente percebe que as roupas não se lavam sozinhas, nem a louça, nem as pias, nem as janelas.  percebe que uma comida saborosa e saudável exige certo tempo na cozinha. Nota também que, para não passar vergonha com uma visita surpresa, o melhor mesmo é manter um rotina mais organizada. Só que todos esses compromissos, somados ao final de uma longa jornada de trabalho, mais duas provas para estudar ou trabalho para entregar, resultam em uma responsabilidade muito grande. Daí você percebe que as responsabilidades domésticas dão mais trabalho do que você imagina.

Com pouco se faz muito, você aprende a juntar os centavos que recebe de troco e, muitas vezes, acaba não entregando os centavos que a mulher da lojinha tanto te pedia. Nunca te contaram que com o passar do tempo, você precisa aprender a fazer algumas gambiarras da vida para se safar das surpresas do cotidiano. Você descobre que se pode fazer muito com um grampo de cabelo, pode até fazer uma televisão ter sinal. E, é claro, aprende a fazer um belo de um banquete com o resto de comida que encontrou na geladeira.

A saudade será maior do que você pensava, que você iria sentir falta, isso todo mundo já te avisava, mas aposto que você não sabia como era a profundidade dessa saudade. Você se pega pensando no seu irmão ou irmã, e em cada briguinha que tiveram pela casa, pensa que não tem mais graça assistir televisão quando não tem ninguém para disputar o controle remoto. Que a comida da sua mãe era mais gostosa do que imaginava e que o boa noite que seu pai te entregava antes de dormir era um verdadeiro calmante.

O preço é alto. A gente se questiona, a gente se culpa, a gente se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas estamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado.

Compartilha com a gente: quando saiu de casa qual foi seu maior aprendizado?

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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