Estamos cheios de estar vazios

Estamos submersos sob nossa própria solidão. Estamos cheios de estar vazios. Estamos fartos. Vazios de alma, vazios de coração, vazios de espírito, vazios que não se preenchem. Não importa o que conquistemos na vida, nada consegue ser tão extraordinário a ponto de colocar fim na insatisfação generalizada que desafia a humanidade. O que será que aconteceu conosco? O que eliminou o brilho dos nossos dias? Estamos todos abarrotados, atarefados, faltando horas nos dias para cumprir com os compromissos, vendo o tempo passar depressa. Mas, o tempo é o tempo, ele sempre irá passar na mesma velocidade, sem acelerar um milésimo sequer. Talvez, o vazio seja uma coisa pontual ou talvez, ele leve consigo todas as nossas forças. Como se esconder do inevitável? Como metamorfosear algo tão cruel? Como dizer adeus as coisas tóxicas e se aprofundar no que realmente importa?

Ouço gerações antigas em suas conversas nostálgicas durante um café relembrando como as coisas eram melhores antigamente, naquele tempo em que insatisfeitos, queriam mais. E aquele mais é o que temos agora. O mais que nos deixa sempre com menos. Talvez possa ser um sinal do consumismo, do individualismo ou do materialismo desenfreado que camuflam nossos vazios, mas que nunca nos preenchem. Em uma medida desesperada o modo automático é ligado, pessoas depositam sua imensidão no que está aparente. Se completam por um instante em roupas, tendências, acessórios. Se preenchem de festas, bebidas, baladas e tantos outros subterfúgios. Pessoas seguem se preenchendo sem se completar, cada vez mais cheios de vazios.

Os sentimentos são banalizados, é proibido sofrer, não pode chorar, não pode ser quem você é em uma sociedade que cobra por pessoas felizes, satisfeitas e que seguem os padrões. Há quem diga que isto acontece porque nos afastados de Deus, porque deixamos de crer, ter fé e orar e estamos apenas preocupados em satisfazer os nossos anseios. Há quem diga que são sinais do fim dos tempos. E sobre isso, digo que a falta de fé e de uma crença realmente causa um grande vazio em nós. É como naufragar em um oceano sem terra à vista. Você pode até saber nadar, mas não terá resistência para fazer isso por muito tempo.

Há quem diga que o amor entre as pessoas foi esquecido e que não podemos confiar em mais ninguém. E andando assim, armados, vamos nos defendendo dos ataques, mas também impedimos que as coisas boas se aproximem de nós. O que houve com os nossos dias? Por que temos tanto e, mesmo assim, nos sentimos tão cansados, exaustos, vazios e seguimos em passos lentos? Por que as férias não recarregam nossas energias? Por que adimos telefonemas, visitas e preferimos conhecer uma nova cidade a rever nossos pais? Por que o latido do nosso cachorro nos tira a paciência? Por quê?

Eu não sei.. mas, sei que assim como eu, você deve estar cansado de estar vazio. Quero desligar a televisão, o rádio, esquecer o celular. Quero rever os amigos, quero dizer palavras que foram jogadas ao vento, quero amar intensamente aqueles que foram deixados para trás, porque preferi me preencher de coisas banais. Quero buscar minha perspicácia, lá no fundo da gaveta abarrotada de falsos prazeres da minha vida, onde depositei minhas melhores memórias e as substitui por um celular. Onde as séries do Netflix ganharam mais importância do que um abraço, uma conversa e um momento. Quero menos, ah, bem menos.  Quando todo esse menos era mais e apático fomos buscando cada vez mais coisas em nossas vidas, para mais tarde constatar que mais é menos. Bem menos.

E se têm tanto, de repente, a gente precise se sentir com pouco para poder deduzir que o muito que temos não é o que de fato vale a pena.  O mundo precisa mudar, mas, o que é o seu mundo, senão esse metro quadrado que te cerca? E se depois de perceber que estamos cheios de estar vazios, começássemos a mudar esse nosso mundo? Será que tudo o mais não mudaria, progressivamente, também?

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post!

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