Considere justa toda forma de amor

Quando criança me sentia confusa ao observar que olhares estranhos se faziam presentes na presença de dois homens e duas mulheres como um só. Refletia: se por dentro da pele, além do que os olhos humanos conseguem enxergar somos iguais, qual a razão de tantos julgamentos e discriminações? Minha brincadeira favorita era pique esconde, corria descalça e sem me preocupar com a aparência, quando minha mãe me chamava para entrar, meu esconderijo era atrás da árvore da vizinha, voltava, com os pés sujos, cansada e feliz. Mas, as vezes pensava: será que não querer brincar de boneca o tempo todo me tornava diferente? O certo seria brincar de casinha o dia todo? Felizmente, esses pensamentos logo chegavam ao fim, quando percebia que não importa como você anda, com quem você se relaciona, desde que você não atinja o próximo, não é pecado ser feliz.

Me refugiar em meus pensamentos de criança é algo magnifico, é ter a oportunidade de por um instante estar em um mundo livre de maldades, enfermidades e olhos de desprezo, é encontrar um lugar desse universo para ser livres para viver como quisermos. Milênios se passaram, décadas ficaram para trás e o presente permaneceu, com particularidades que antes não eram expostas, impedindo que muitas pessoas deixassem de voar e se obrigassem a ser quem elas nunca serão capazes de ser. O motivo pelo qual estamos vivos hoje não é conseguir comprar o carro do ano ou um imóvel para morar, é repensar, é aprender amar o que é distinto, é alimentar a alma de amor.

Este amor está entre os brancos, negros, índios, amarelos, xadrezes, listrados, gays, mulheres, homens, deficientes físicos, anões e mais uma infinidade de classificações que existem no mundo. Porque o amor é amor, toda forma de amar é justa. No amor, não existe oito ou oitenta, só existe amor e pronto.

Ei mundo, porque escolhes ser tão cruel? Tu és tão grande, tão imenso, tão esplêndido. Me deixes dizer uma coisa: nosso desejo, como ser humano e como sociedade deveria desejar felicidade a qualquer um que seja da forma que for. Porque o que se passa na vida de um outro alguém, não é problema nosso. Aliás, problema é não amar. Quero que meus filhos entendam a delicadeza do amor entre as diferenças, quero que eles aprendam o que é amor de verdade e não telejornal. Aprender a se relacionar com quem você não gostaria por perto é tão virtal quanto o ar que se respira.

Tentar viver a vida sem pré-conceitos é um desafio gigantesco, abolir os julgamentos da nossa caminhada é difícil. Tirar o dedo da cara do outro e não ensinar pré-conceitos a nossas crianças é ainda maior. Porque exige controle, postura, exige olhar, exige amor. Amor em poder reconhecer no outro algo que também existe na gente. Somos todos um só. Somos constituídos de muitas pessoas. Existe um ritual muito simbólico no cristianismo que é o de levar uma coroa de flores a pessoa que faleceu. O gesto simboliza algo que diz ”as sementes que você plantou em mim, eu lhe devolvo com flores”. Por mais que você tente evitar, todas as pessoas que passam em nossa vida deixam um pouquinho delas com a gente, como uma grande gravura em nossa alma, essas pequenas sementes, se tornam um pedaço de nós, essa é a única coisa que ficará viva mesmo quando não respirarmos mais.

Quando a gente menos esperar a vida irá mandar uma fatura, denotando todos os nossos atos e o resultado de todos eles. Marque a sua com ternura, benevolência, contentamento e uma grande bagagem de amor, por todas as pessoas ao seu redor. Nunca se esqueça: jamais faça para alguém, algo que não quer que façam com você. Um dia você aponta o dedo, no outro é julgado.

Espero muito que vocês gostem, um super beijo e até o próximo post.

54 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *